ROSANA BRAGA
Conferencista, escritora, jornalista e consultora em relacionamentos. Reconhecida como uma das maiores especialistas em relacionamentos interpessoais do país, Rosana Braga desenvolve um trabalho considerado inspirador e eficaz, promovendo mudanças no âmbito profissional e pessoal.
Pesquisadora da área há mais de 10 anos, ela surpreende ao propor atitudes e soluções no complexo mundo das relações, conduzindo as pessoas a se apoderarem de seu potencial e ressaltando a diferença entre “quem quer” e “quem faz”.
Autora e apresentadora dos DVDs Inteligência Afetiva volumes 1 e 2 e Viva o amor que você deseja, é também colunista de programas de rádio, revistas, jornais e sites. Na mídia concede, com freqüência, entrevistas sobre a temática “relações”.
Rosana, conte um pouco sobre você...
Nasci em São Paulo, em 1972. Cresci em Guarulhos, município da Grande São Paulo. Sempre fui uma criança muito ativa, que gostava de conversar, escrever, estudar, observar as pessoas e aprender. Aos 11 anos, participei do primeiro concurso de poesia, na escola, e ganhei. Minha professora de português, Vanda Fagundes Queiroz, que é poetisa e escritora, me incentivava demais a acreditar no meu potencial. Devo muito a ela a minha carreira de escritora. Daí, não parei mais de escrever.
Como você começou a se especializar em inteligência afetiva e relacionamentos?
Desde adolescente, nutria duas grandes motivações internas: escrever e compreender a natureza humana. Mas escrever ainda falava mais alto e, por isso, fiz jornalismo. Ao longo da carreira, fui percebendo que podia estudar o comportamento humano paralelamente, fazendo cursos, lendo livros de especialistas, transformando a mim mesma e, assim, com o resultado desta busca, escrever sobre o tema. E cada vez que me esforçava neste sentido, percebia que dava certo.
Por fim, casei-me com 21 anos e fui mãe aos 22. Isso me fez amadurecer mais rapidamente do que eu esperava e tive de lidar com minhas próprias dúvidas e dores de forma rápida. Comecei a fazer terapia assim que meu filho nasceu e descobri que somos responsáveis pelo que acontece em nossas vidas, seja atraindo determinadas pessoas, seja deixando que elas atuem em nossas vidas.
Fui revendo minhas relações familiares, compreendendo meus pais, meu marido, minha maternidade e a mim mesma... E não foi nada fácil descobrir o quanto eu tinha a crescer. O casamento acabou alguns anos depois e levei mais alguns bons anos até compreender por que, mesmo desejando tanto ser feliz e viver aquele grande amor, não consegui, cometi tantos enganos, tive tanto medo e me deixei paralisar diante de várias situações do dia-a-dia.
Foi aí que resolvi me dedicar ainda mais ao estudo das relações e, especialmente, das amorosas. Lancei meu primeiro livro em 1999 – Alma Gêmea, você está pronta para ser encontrada? – e deu tão certo que me empolguei.
Fui convidada por outras editoras e não parei mais!
Em 2002 – 10 passos para um grande amor – Editora Mercuryo.
Em 2004 – Amor – sem regras para viver – Editora Alaúde.
Em 2005 – Alma Gêmea – Segredos de um Encontro – Editora Alaúde.
E, finalmente, em 2006, realizando um sonho de lançar com a Editora Gente, lancei o FAÇA O AMOR VALER A PENA.
A cada título, de acordo com o retorno dos leitores e amigos, percebo que minha abordagem se torna mais integrada, amadurecida, mais calcada em experiências (tanto as minhas como as de meus leitores e amigos).
Isso serve até para facilitar a compreensão do leitor a medida que ele também, enquanto ser humano em evolução, tem um ritmo próprio de amadurecimento.
Em 2007, lancei um título que aborda as relações de um ângulo mais aberto, mais amplo – “O PODER DA GENTILEZA – O modo como você trata as pessoas determina quem você é!”. Creio que este seja um novo momento da minha carreira, já que era um desejo crescente este de trabalhar as relações em todos os ambientes e em todas as áreas de nossas vidas, seja a pessoal, social, profissional, familiar e amorosa.
De acordo com sua experiência, quais os maiores problemas sentimentais enfrentados hoje? Era diferente há alguns anos?
Não acredito que fosse muito diferente, apenas temos nos deixado conduzir de modo muito aleatório, desatento, desfocado, com pouquíssima disponibilidade para o autoconhecimento e para o reconhecimento das próprias atitudes e das escolhas que fazemos.
Temos muito medo de sofrer e, paradoxalmente, construímos expectativas demais, exigimos demais das pessoas, queremos vivenciar sentimentos ilusórios e efêmeros e não entendemos por que tanta decepção, tanta frustração.
Sobretudo, acredito que seja a falta de tolerância e paciência, e essa dinâmica do imediatismo que tem nos tornado tão vulneráveis e até volúveis algumas vezes, no que se refere ao amor.
Mas apesar disso, das reclamações e das dificuldades, não creio que estejamos definitivamente perdidos. Essa seqüência faz parte de uma evolução muito importante e o melhor está por vir!
Na sua opinião, homens e mulheres são diferentes mesmo?
Não. Creio que a natureza humana em si tenha uma dinâmica semelhante na vida de todos nós, em princípio. Acontece que esta natureza termina influenciada por uma série de fatores que faz com que, muitas vezes, tenhamos comportamentos muito distintos, especialmente no que se refere ao masculino e feminino.
O que vejo é que, baseados numa cultura patriarcal, homens e mulheres se submetem e se subjugam nas relações, criando um ambiente muito mais propício às disputas do que ao companheirismo. É preciso fazer muito esforço para amadurecer e superar essa visão, alcançando um patamar mais equilibrado e satisfatório para os dois.
Em poucas palavras, o que você diria para quem busca se realizar no amor?
Que baixe suas expectativas, que se aceite mais e aceite mais o outro. Que se perdoe com mais freqüência e que compreenda que – cada um a sua maneira – todos nós desejamos ser felizes, amados e aceitos.
Torne o outro a pessoa mais importante de sua vida (sem jamais abandonar a auto-estima e o auto-respeito, é claro!) e verá que os encontros podem ser bem mais gratificantes quando deixamos que o individualismo e o medo seja o norte.
Você concorda com Tom Jobim: “é impossível ser feliz sozinho”?
De certa forma sim, mas não podemos negar o fato de que existem escolhas que abdicam do outro enquanto par romântico, enquanto parceiro sexual; e essas escolhas têm em si a felicidade de que essas pessoas precisam.
Mas se considerarmos as relações humanas de forma geral, acredito totalmente que é impossível ser feliz sozinho. Precisamos do outro para nos sabermos e nos sentirmos vivos!
Estudiosos de todos os tempos insistem em afirmar que é somente através das relações afetivas que conseguimos desenvolver nossas inteligências e nosso potencial criativo. E amorosamente falando, as relações entre casais servem como mote essencial para este desenvolvimento.
Você consegue aplicar seus ensinamentos à sua vida amorosa?
(risos) Essa pergunta é quase uma armadilha! Claro que nem sempre consigo aplicar meus conselhos e ensinamentos... e sinceramente, não acho que poderia ser diferente, afinal de contas também sou humana e estou no meu processo de amadurecimento.
Além de admirar o mito grego de Quíron, porque fala de um deus (imortal) em busca de respostas, de conhecimento e da cura para sua própria dor, sem nunca encontrá-la completamente, o que o transforma no maior curador do Olimpo, também já escrevi alguns versos sobre mim, do modo como me vejo diante de perguntas como esta.
Sou humana. Sou aprendiz. Sou mulher.
Sou feliz porque desejo a felicidade.
Encontro respostas porque vivo comprometida a buscá-las.
Sou amante porque acredito indubitavelmente na capacidade de compartilhar.
Escrevo porque escrever está em mim.
Porque se não escrevesse, simplesmente não existiria.
E misturada nesta receita, onde minha alquimia transborda,
Está a minha essência: imperfeita sim, mas inundada de amor.
Enfim, esta sou eu – transparente e desnudada de pretensões. Despojada de mistérios ou de ilusões. Apenas para dizer que a fascinação que o amor me causa me movimenta e me inspira, fazendo com que mais importante do que responder a qualquer pergunta cuja resposta inexista genuinamente, seja persistir no desejo absoluto de compartilhar a mim mesma, a qualquer tempo, no instante preciso em que paro o mundo – o meu mundo – para falar de amor... |